- 100fronteiras.AI
- Posts
- A aposta no invisível (o primeiro festival de JAZZ)
A aposta no invisível (o primeiro festival de JAZZ)
Quando a intuição vence os dados - e a chuva.


I 100fronteiras JAZZ Festival: O maior evento sensorial de música instrumental da Tríplice Fronteira e oeste do Paraná.
Faltavam 72 horas para o início do nosso primeiro festival de jazz.
Nos últimos dez dias, eu mal dormia.
Além da lista interminável de pendências, tínhamos um problema que nenhuma planilha ou IA resolve: a meteorologia.
A previsão cravava chuva intensa para o fim de semana.
E quando chove em um evento a céu aberto, a insegurança brota. Comecei a ouvir comentários — alguns tendenciosos, outros genuinamente preocupados — que questionavam a própria essência do projeto:
"Será que Foz do Iguaçu tem cultura para jazz?"
Um amigo foi brutalmente honesto: "Denys, uma noite de jazz já é muito... agora, três dias? Acho que só você vai curtir."
Confesso que aquilo me pegou.
A dúvida de "será que tomei a decisão correta ao ouvir minha intuição?" bateu forte.
A solidão da convicção
Muitas vezes deixamos as coisas passarem não pela falta de visão.
Mas pela falta de acreditar em nós mesmos.
Tinha uma voz dentro de mim que dizia que a experiência de construir um festival seria um divisor de águas. Mas também sabia que muitas vezes aprendemos no fracasso. Eu precisava estar preparado, se esse fosse o caso.
Mas escolhi acreditar.
Acreditei na proposta de valor voltada para a família. Acreditei na população de Foz do Iguaçu e da Tríplice Fronteira. Acreditei na nossa equipe e parceiros.
Havia uma lacuna em nossa cidade. Sentíamos falta dos momentos de comunidade que existiam antigamente, como na Fenartec, onde todos esperavam o ano todo para conhecer a cultura do mundo.
Então, propusemos um festival com a nossa cara.
O nosso DNA fronteiriço.
Para ser o rosto do evento, escolhemos seis animais clássicos da nossa fauna: a Onça-pintada, o Quati, o Dourado, a Arara e a Capivara. (veja aqui)
As cores? As nossas.
O azul celeste da Argentina. O vermelho do Paraguai. O amarelo do Brasil.
Nas ações, uma programação 100% gratuita. Mais de 30 horas de música ininterrupta.
Chamamos de “O som da nossa Tríplice Fronteira”.
Criando o mercado
O evento de gala (100fronteiras JAZZ NIGHT) esgotou 24 horas antes.
E no fim de semana, a chuva veio.
Mas o público veio junto.
Ali, olhando aquelas 8.315 pessoas, entendi algo que mudou minha visão de negócios:
Às vezes, a gente perde tempo tentando "pesquisar" se existe demanda, quando na verdade precisa ter a coragem de criar o mercado.
As pessoas não sabiam que queriam um festival de jazz... até o festival existir.
(Em primeira mão, o teaser do documentário sobre o I 100fronteiras JAZZ Festival que virá em breve).
O bastidor técnico: Vibe Coding com Google AI Studio
Quem empreende conhece bem a solidão da execução.
Na maioria das vezes, é você e sua cabeça tentando transformar ideias em realidade no escuro.
Desta vez, no entanto, eu tinha um "time" diferente. Eu tinha a Inteligência Artificial.
Não foi mágica, foi método.
O site do festival precisava ficar profissional urgente. Em outros tempos, eu teria travado esperando um desenvolvedor ou gastado o orçamento que não tínhamos.
Dessa vez, abri o Google AI Studio.
Joguei todo o contexto do projeto lá dentro (estratégia, tom de voz, informações). Como a "memória" (janela de contexto) dele é gigante, ele não se perdeu. Foi como conversar com um sócio que sabia de tudo.
Em cerca de 5 horas de vibe coding (eu e a máquina), saímos de um rascunho para a realidade.
O site antes da IA: http://www.100fronteirasjazzdotcom.wordpress.com/
O resultado após IA: https://www.100fronteirasjazzfestival.com/
Não sou programador.
Mas a ferramenta me permitiu tirar a ideia da cabeça e colocar na tela na velocidade do meu pensamento. A sensação de "estar sozinho contra o mundo" diminuiu drasticamente.
Atenha-se ao básico:
Seja confiável.
Faça seu trabalho.
Fale por você mesmo.
Resultado acima do ego.
Concentre-se nos detalhes.
Veja os desafios como oportunidades.
Vá para a cama mais inteligente do que quando acordou.
A próxima travessia
Ver mais de 100 artistas locais no palco e famílias inteiras ocupando o espaço público foi minha resposta para aquela dúvida inicial do meu amigo.
A comunidade provou que a "cultura" existia. Ela só estava esperando um convite.
Saí desse festival com a certeza de que, às vezes, o que falta não é a ideia perfeita, mas a teimosia de montar o palco mesmo com a previsão de chuva.
Já marcamos o reencontro: 30 de abril de 2026.
Obrigado por lerem meus devaneios de bastidor.
Até a próxima travessia.
- Denys Alex
P.S. Sobre o on e o off (ao vivo)
Fui convidado para compartilhar um pouco mais sobre essa integração entre o mundo físico e o digital no evento Eleva One, que acontece aqui em Foz nos dias 6 e 7 de dezembro.
Vou falar justamente sobre essa minha experiência de navegar entre os dois mundos. Se o tema te interessa e você quiser acompanhar esse papo de perto, deixo aqui o convite.
Reply